A Prefeitura de Itaquaquecetuba, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, programou um ciclo de reuniões e palestras para as famílias beneficiárias dos programas de transferência de renda como Bolsa Família e Renda Cidadã, com o objetivo de instruir os pais para que as crianças e adolescentes não se sejam influenciadas pela internet ou por aplicativos como o jogo “baleia azul”.

As orientações terão início no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) Caiuby, em parceria com a entidade executora do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – Associação Ebenezer. O tema deve ser levado para os demais CRAS do município com o objetivo de atender todas as famílias em situação de vulnerabilidade acompanhadas pelos programas sociais existentes na cidade.

O bate-papo será realizado nesta quinta-feira (27), em dois horários, às 9h e às 14 horas. Entre terça e quarta-feira, quatro reuniões já foram realizadas no CRAS Caiuby, com a adesão de dezenas de famílias.

Em poucos dias “o jogo baleia azul” se tornou mais uma preocupação social, porém, ainda gera dúvidas e polêmicas. Alguns casos que estão sob investigação policial no país reforçam a crença de que “o jogo” pode ser um problema real e digno de prevenção, uma vez que os adolescentes são convidados a participar de grupos secretos e, a partir disso, recebem as tarefas, sendo a última etapa tirar a própria vida.

Segundo a equipe técnica do CRAS (psicólogos e assistentes sociais), os jovens e adolescentes se tornam mais vulneráveis ao jogo da baleia em casos que os vínculos familiares não são fortalecidos, em casos de baixa autoestima. Agravos como bullying, violência doméstica, abusos sexuais e outras vulnerabilidades às quais o adolescente pode estar sujeito, como, por exemplo, a depressão podem ser gatilhos para o adolescente iniciar o ”jogo”.

De acordo com a psicóloga e coordenadora do CRAS Caiuby, Cristiane Teixeira, a melhor maneira dos pais ou responsáveis, evitarem o envolvimento das crianças e adolescentes em jogos como esses é estarem atentos às mudanças comportamentais dos filhos, levando em consideração que mudanças bruscas podem sinalizar o sofrimento que a criança e/ou adolescente não esteja sabendo lidar.

“È primordial o interesse dos pais e familiares pela rotina da criança e do adolescente. O diálogo deve ser constante e se revelar uma ferramenta para que se sintam à vontade para compartilhar as angustias vivenciadas e aumentar o sentimento de proteção. A confiança entre os membros da família precisa permear as relações para o compartilhamento de anseios e frustrações”, garante a coordenadora do CRAS Caiuby.

O trabalho da assistente social e psicóloga que atuam no serviço socioassistencial do CRAS Caiuby é busca intervir na situação de risco, conscientizando os adolescentes sobre a importância da vida.

A psicóloga Viviane Marques da Silva atua diretamente com os adolescentes e ressalta que a atenção aos comportamentos como isolamento social e sintomas da depressão devem ser contínuas, tanto por parte da família como também por outros locais onde o adolescente é assistido – escola, assistência social, saúde.

“No momento, observo que há uma atenção maior em relação a estas ocorrências e sintomas devido ao jogo. É importante salientar que mesmo que seja um modismo ou uma “onda” que esteja acolhendo estes adolescentes, é um gatilho que está disparando sintomatologia já existente na fase da adolescência, que muitas vezes não tem acompanhamento e importância”, esclarece Viviane.

 

Dicas para prevenção:

Fique atento à mudança de comportamento: isolamento, mudança no apetite, o fato de o adolescente passar muito tempo fechado no quarto ou usar roupas para se esquivar de mostrar o corpo são pistas de que sofre algo que não consegue falar;

Compartilhe projetos de vida: Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, conhecer amigos, incentivar que os filhos tenham projeto para o futuro, tracem metas para a vida;

Abra espaço para diálogo: Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar, é preciso que o adolescente se sinta à vontade para falar de suas frustrações e se sinta apoiado. Se ele tiver um espaço para dividir suas angustias e for escutado, tem um fator proteção. O adolescente com autoestima baixa, sem vínculo familiar fortalecida é mais vulnerável a cair nas armadilhas. Os pais devem atrair a confiança dos filhos e convidá-los para um diálogo franco e aberto, sem qualquer tipo de repressão;

Observe: Preste atenção no corpo e a forma do seu filho se vestir, fique atento se há sinais de mutilação ou queimaduras, se ele está usando blusas de mangas compridas para evitar exposição das marcas;

Atenção: Coloque o computador em um lugar que seja visível, para estar acompanhando as redes sociais que seu filho esteja fazendo parte. Evite colocar informações pessoais nas redes sociais.